sábado, 20 de setembro de 2008

EDITORIAL


Estamos lançando a primeira edição do jornal Universitarios em Ação com o intuito de fazer uma reflexão do que vem a ser a Historia e seus caminhos de pesquisa. Abrimos assim os trabalhos com artigos que versam sobre questões relacionadas com a historiografia e sua importância para todo historiador/pesquisador.
Nesta edição levantaremos questões sobre a historiografia e de como a hermenêutica utilizada pelo historiador/pesquisador tem sua importância e carrega consigo seus perigos!
Convocamos para isso também todos os interessados em pesquisar História, mesmo que não façam parte do Departamento de História da Universidade Regional do Cariri – Urca a se engajarem conosco nessa empreitada. Caso haja interesse de sua parte, entre em contato conosco e obtenha mais informação de como você poderá atuar como um colaborador desse novo veículo informativo no Curso de História da Urca.
Queremos levá-lo a pensar na História e a refletir nas suas implicações. Por isso na próxima edição versaremos sobre a (IN)DEPENDÊNCIA DO BRASIL NUM MUNDO DE GLOBALIZAÇÃO. NÃO PERCAM!!!
(Michel Arcanjo)

Por que escrever história?


para lembrar que a escrita da história possui maneiras, métodos e abordagens diferentes, além de ser uma constante para o historiador se interrogar sobre suas próprias condições, os meios e os limites de seu conhecimento;
Para que possamos encontrar um sentido para a História e superar os desafios colocados pelo estudo da disciplina, pois a atividade do historiador estimula a reflexão em busca de respostas às suas inquietações, sejam elas provocadas pela Crítica à produção já conhecida ou pela abertura de novos caminhos teórico-metodológicos, permitindo a pesquisa de temas relativos ao informal, às diferenças, à especificidade histórica;
Para abrir possibilidades da invenção e da mudança, da criatividade e da ousadia, transformando conceitos de maneira que possam expressar o mutável e o dinâmico, através de uma narrativa que se expresse na sensibilidade do historiador;
Aproximação das práticas da hermenêutica permite uma mudança temático-teórica, uma redefinição das universidades e abre perspectivas no mapeamento metodológico e na construção de um percurso reflexivo, compreensivo e imaginativo na escrita historiográfica.
A Historiografia tem apresentado um campo de possibilidades e indefinições que se abrem ao historiador quase que pedindo, conte-me, pois o silêncio, a solidão estão presentes em um movimento de eterna incerteza, onde é exigido disposição e coragem para conviver com o efêmero em um quadro que se apresenta cada vez mais constituído pela fluidez das relações, sejam elas com o tempo, e com as pessoas, com os conceitos.
(Profª Fatiana Carla Araújo)

Pensamento filosófico


Hoje, ao terminar-mos o século XX, cada vez mais a perspectiva de que uma obra de história é uma construção do próprio historiador se impõe: é ele quem escolhe seu objeto, escolhe como vai trabalhá-lo, expô-lo, num abandono da crença positivista em uma possível neutralidade, pelo distanciamento entre o historiador e o seu objeto.
(...) Podemos dizer que a história não é o passado, mais um olhar dirigido ao passado: a partir do que esse objeto ficou representado, o historiador elabora sua própria representação. A história se faz com documentos e fontes, com idéias e imaginação.
Assim o conhecimento histórico mergulha cada vez mais nas formas de sua própria produção, em como foi e em como pode e deve ser escrito, isto é, sua própria história e nas formas de procedimento que lhe são próprias como de conhecimento.
(Borges, Vavy Pacheco. O que é história. São Paulo, Brasiliense, 1993, 2ª ed.)

Por que escrever história?


Desde a invenção da escrita por volta de 5 mil anos a.C. que a humanidade não conhece outra forma mais significativa e segura de transmissão do conhecimento, senão através da arte de escrever. Registrar por escrito fatos e acontecimentos de relevância social para que “a humanidade não esqueça as ações humanas ao longo do tempo” já era uma preocupação de Heródoto cinco séculos antes de Cristo. Assim a historiografia assume um importante papel na transmissão do conhecimento histórico, uma vez que possibilita o registro dos fatos, por escrito. Ao escrever história abre-se espaço para uma serie de análises de caráter lingüístico, teórico e metodológico. Nesse sentido a historiografia se constitui não só como escrita da história, mas como meio de análise de como foi possível escrever dom modo como foi. Mesmo sabendo que cada escritor possui objetivos específicos a escrita da história tem sua importância na medida em que viabiliza diversas leituras e interpretações sobre os mais variados acontecimentos históricos, dando sempre a possibilidade de construção e reconstrução de tais leituras.

“Diante das transformações mundiais registradas em ritmos cada vez mais acelerados, diante da renovação das “permanências”, dos valores e ações do homem, diante do resgate do tempo e do espaço, a escrita da história depara-se com um novo desafio e uma feliz proposta disposta a abordar as mais diversas intervenções do homem ou dos homens em diferentes períodos e circunstâncias, sem privilegiar personagens “ilustres”. Existe uma tendência consciente e decidida em problematizar e considerar as relações estabelecidas também no passado das resistências, das manifestações, dos personagens “iletrados”. Essa tendência procura visitar o “instante” e o “momento”, objetivando o sentido do tempo e das manifestações do homem neste mesmo tempo em relação á outros tempos..” (Cristiano Catarin)
(Jair Rodrigues)

Por que escrever história?

Inicialmente contava-se e não escrevia-se história, o que, grosso modo, podemos chamar de tradição oral. Esta tradição tinha como principal objetivo transmitir aos integrantes de uma certa comunidade valores da vida moral, religiosa e afetiva de seus integrantes. Com o desenvolvimento da escrita, pela necessidade de se registrar, ou melhor, de controlar a crescente renda dos palácios e templos, nós tivemos uma sensível mudança, pois passou-se a ser real a possibilidade de eternizar o pensamento, a vontade, os feitos e atos.
Nessa perspectiva a escrita da história nasce com um objetivo especifico, o de eternizar o homem, para o homem. Pois a história só faz sentido para o ser humano, visto que somos os únicos seres históricos.
Porém modernamente não podemos afirmar que a historiografia limita-se somente a “eternização”, o que deveras constitui um erro, porque, a muito essa idéia de manter vivo, reviver ou até mesmo entender o passado vem transformando a maneira de ser-mos e viver-mos; um exemplo prático: quando Roma vence Cartago a ação foi destruir completamente, a capital dos vencidos, nada deixar de pé, para que a memória histórica da cidade ainda intacta não acende-se um fogaréu de revoltas mais tarde, uma tentativa angustiada de apagar o passado dos inimigos. Hoje, no entanto, a visão é diferente, durante as guerras o fogo das artilharias que antes não abatiam hospitais e escolas, teve acrescentado os museus e prédios, ditos, históricos. Assim podemos concluir que a resposta para a pergunta só pode ser uma, para a existência de nossa civilização.
(Felipe Nere)

A ação do historiador


O que é História? O que faz o historiador? Como fazer História? Esses questionamentos são termos introdutórios ao adentrar no ambiente acadêmico de um curso, onde o objetivo é estudar a História. Na tentativa de responder às indagações abordadas anteriormente, geralmente se busca os termos etimológicos da palavra, onde encontra-se o seu significado, que nesse caso particular temos: “História” como “uma palavra de origem grega, que significa investigação, informação” (BORGES, Vavy Pacheco, 1993, p. 11), fora dessa explicação podemos definir História como uma ciência humana que tem seu objeto de estudo o homem e suas ações no tempo e espaço, onde o que se pode conhecer parte de uma explicação racional.
O homem é um ser capaz de produzir História, pois ele , segundo Vavy Pacheco (1993, p. 54) é um ser “finito, temporal e histórico. Ele é consciente de sua historicidade”. Desta forma definir História? e o que faz o historiador? E como se faz? São perguntas que possuem respostas bastante relativas, pois, se somos históricos, finitos e temporais, logo a maneira de ver a História e seu funcionamento partiria epistemologicamente de cada ser, através de suas bases de formação teórica, assim definindo suas respostas subjetivamente.
Desta forma encontra-se na História em outro olhar, onde a critica deve ser colocada antes de ser tomada como verdade qualquer elemento observado, ou seja, o elemento histórico é visto com um olhar específico e diferenciado, onde o que se busca é o real.
Então a ação produzida pelo sujeito observador (historiador/pesquisador) é a investigação, ou seja, a especulação, é olhar diferentemente do objeto de estudo, é buscar as informações necessárias para compreensão da realidade e de sua forma segundo Keith Jenkins “O estudo da História equivale a uma busca pela verdade” (2001, p.35).
Apesar de que a verdade é algo bastante subjetivo onde varia de pessoa para pessoa, e de mentalidade para mentalidade.
Em linhas gerais o historiador é formado não apenas para compreender o passado, mas para ver a História no seu tempo, compreendê-la e observá-la na realidade e investigá-la de forma a obter-se as informações necessárias para transformar a sua própria realidade.
(José Wégino)